Com o fim da escala 6x1 como a tecnologia pode ajudar restaurantes a equilibrar custos e valorizar a hospitalidade?
Segundo Carlos Keiichi, fundador do Fogo Alto, o uso da IA no setor de food service pode contribuir para estabelecimentos reduzirem custos , organizarem suas equipes e aumentarem suas receitas

Carlos Keiichi, Founder e CEO Fogo Alto, o vencedor Renan Toledo com a plataforma TreinAI e Gabriel Pinheiro, líder executivo da Abrasel SP
Carlos Keiichi, fundador do Fogo Alto, ecossistema de inovação e tecnologia do foodservice que aproxima restaurantes, startups, fornecedores e grandes marcas do setor, pode falar sobre o impacto do fim da escala 6x1 no setor de food service, apresentar dados do setor e explicar como bares e restaurantes podem usar a IA para reorganizar suas equipes, reduzir custos e aumentar o faturamento.
Segundo ele, a aprovação do fim da escala 6x1 pelo Senado coloca o desafio para bares e restaurantes de como manter cozinhas, salão e delivery funcionando nos horários de maior movimento com jornadas menores? Encaminhada à promulgação, a PEC prevê dois dias de descanso semanal, preservação salarial e redução gradual de 44 para 40 horas por semana.
Pressão sobre os custos dimensiona desafio
Uma nota técnica publicada pelo Ipea em 2026, baseada em vínculos formais da RAIS 2023, estima que a redução para 40 horas elevaria em média 8,61% o custo da hora de trabalho e 2,80% as despesas totais do setor de alimentação. São indicadores diferentes de uma simulação, não uma previsão de reajuste dos cardápios. O impacto em cada restaurante dependerá da composição dos custos, da organização dos turnos e dos ganhos de produtividade.
Experiências internacionais oferecem referências para essa adaptação. Um estudo com 66 restaurantes nos Estados Unidos associou dispositivos digitais nas mesas a refeições cerca de 10% mais curtas, sem mudança no nível de pessoal. Já uma análise de 114 restaurantes em 12 países identificou redução média de 26% no desperdício de cozinha em um ano, combinando medição, treinamento e mudanças de rotina. Os resultados mostram oportunidades de melhoria, mas não comprovam que a tecnologia, sozinha, compense a redução da jornada.
Além dos números, a discussão passa pelo papel das pessoas no restaurante. Equipamentos que automatizam etapas do preparo, sistemas que evitam redigitação de pedidos e ferramentas que simplificam controles podem reduzir tarefas repetitivas e abrir espaço para a equipe se dedicar à hospitalidade: receber bem, explicar o cardápio, perceber necessidades e resolver imprevistos. Para isso, a implantação precisa vir acompanhada de treinamento e organização do trabalho, para que o tempo ganho se traduza em melhores condições para a equipe e mais atenção ao cliente.
Para discutir esses caminhos, sugerimos uma entrevista com o Carlos que pode explorar como máquinas, automação e IA podem apoiar a rotina de bares e restaurantes, considerando os custos e os limites de cada solução. O foco é entender como conciliar jornadas menores, sustentabilidade dos negócios e valorização das pessoas. Afinal, como usar a tecnologia para que sobre mais tempo para aquilo que dá sentido à experiência de comer fora que é acolher e ser bem atendido?
Sobre o Fogo Alto
Ecossistema de inovação e tecnologia do foodservice que aproxima restaurantes, startups, fornecedores e grandes marcas do setor. Atua com aceleração de startups, como o programa Fornada, inteligência de dados, eventos que reúnem donos de restaurante e indústria e desenvolvimento de tecnologia, como a plataforma do Trampo.
Instagram @fogoalto
Com o fim da escala 6x1 como a tecnologia pode ajudar restaurantes a equilibrar custos e valorizar a hospitalidade?
Fonte:
RENATA FURLAN REBESCO



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