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Junho testa a capacidade de execução dos restaurantes

  • há 6 horas
  • 4 min de leitura

Copa do Mundo e Dia dos Namorados colocam o setor diante de uma rara concentração de demanda, mas especialistas alertam que crescimento de receita depende cada vez mais de gestão e menos do calendário


Junho testa a capacidade de execução dos restaurantes

Poucos meses concentram tantas oportunidades de consumo para bares e restaurantes quanto junho. Em 2026, a combinação entre a Copa do Mundo e o Dia dos Namorados cria um cenário potencialmente favorável para o setor de alimentação fora do lar, justamente em um momento em que empresas seguem pressionadas por custos elevados, margens estreitas e mudanças nos hábitos de consumo.


A expectativa é positiva. Levantamento da Abrasel mostra que 52% dos bares e restaurantes pretendem transmitir os jogos da Copa do Mundo. Entre os estabelecimentos que exibirão as partidas, 80% esperam aumento de faturamento em relação aos dias sem jogos, sendo que 59% projetam crescimento de até 20%.


Para Marcelo Marani, professor e fundador da Donos de Restaurantes, os números revelam mais do que uma oportunidade sazonal. Eles evidenciam uma mudança na forma como o setor precisa encarar datas de grande movimentação.


"Existe uma percepção de que meses como junho geram resultados automaticamente. Não geram. O calendário cria demanda, mas o lucro continua dependendo da capacidade de execução da operação. O restaurante que trata essas datas como uma campanha estratégica tende a capturar muito mais valor do que aquele que apenas espera o aumento do movimento", afirma.


Na avaliação do especialista, a Copa do Mundo se tornou um fenômeno econômico para bares e restaurantes porque amplia momentos de convivência social. O jogo, por si só, não gera receita. O que produz resultado é a construção de experiências de consumo ao redor do evento.


"Os estabelecimentos que conseguem transformar a transmissão em uma ocasião de encontro saem na frente. Isso envolve cardápios específicos, reservas, ações promocionais, organização da equipe e gestão da experiência do cliente. O futebol atrai as pessoas. O restante da operação determina quanto daquele fluxo se converte em receita e margem", diz.


O mesmo raciocínio vale para o Dia dos Namorados, uma das datas mais relevantes para o setor. Segundo a Abrasel, 96% dos estabelecimentos pretendem abrir em 12 de junho e 83% esperam faturar mais do que em uma noite comum. Entre os empresários otimistas, 55% projetam aumento de até 20% nas vendas, enquanto 28% esperam crescimento ainda maior.


Em São Paulo, levantamento da Abrasel-SP aponta que 67% dos bares e restaurantes esperam ampliar o faturamento na data. Entre eles, 20% trabalham com expectativa de crescimento de até 40%.


Apesar do potencial, especialistas observam que períodos de alta demanda costumam expor fragilidades operacionais que permanecem ocultas durante o restante do ano. Equipes insuficientes, processos desorganizados, cardápios excessivamente complexos e falhas de atendimento tendem a impactar diretamente a rentabilidade.


"Em datas especiais, o empresário não pode descobrir durante o serviço que sua cozinha não suporta o volume de pedidos ou que a equipe não está preparada. A casa cheia amplifica tanto os acertos quanto os erros", afirma Marani.


Os desafios ocorrem em um contexto em que o consumidor demonstra comportamento cada vez mais seletivo. Dados da Cielo mostraram que o varejo brasileiro cresceu 4,9% no Dia dos Namorados de 2025 em comparação ao ano anterior. No mesmo levantamento, entretanto, o segmento de alimentação em bares e restaurantes registrou retração de 1,4%.


Para Marani, o dado ilustra uma realidade importante para o setor. "Existe disposição para consumir, mas o consumidor tem mais opções do que nunca. Ele pode viajar, pedir delivery, comprar presentes ou comemorar em casa. O restaurante precisa disputar essa escolha."


Por isso, ganha força entre os empresários a estratégia de ampliar as ações para além das datas principais. Em vez de concentrar esforços exclusivamente em 12 de junho ou nos dias de jogos mais importantes, muitos estabelecimentos passaram a trabalhar campanhas ao longo de toda a semana, distribuindo reservas, aumentando o ticket médio e reduzindo gargalos operacionais.


Segundo Marani, a diferença entre os restaurantes que terão um junho excepcional e aqueles que apenas registrarão maior volume de trabalho estará na gestão. "O desafio não é vender mais durante um período de alta demanda. O desafio é transformar esse faturamento adicional em margem, gerar uma experiência positiva e fazer com que esse cliente volte depois. É isso que define crescimento sustentável."


Para o setor, junho representa algo mais relevante do que um mês forte de vendas. Funciona como um teste da capacidade de transformar oportunidades pontuais em resultados permanentes, uma habilidade cada vez mais necessária em um mercado marcado por custos elevados e competição crescente.


Sobre Marcelo Marani

Marcelo Marani é fundador e CEO da Donos de Restaurantes, uma das principais escolas para donos de restaurantes da América Latina. Professor formado em Ciência da Computação, com mestrado em Administração de Empresas, defendeu em 2007 uma tese que mostrava que 70% dos donos de restaurantes não trabalham com qualquer tipo de fidelização.


Empresário, sócio de mais de 10 empresas do foodservice, com um faturamento de R$28MM em 2025, tem mais 27 anos de experiência no mercado de alimentação e é considerado um dos maiores especialistas em gestão e aumento de faturamento para restaurantes do Brasil.


Marani é autor do livro Transforme o seu Restaurante em um Negócio Milionário, da editora Gente. É também host do podcast mais escutado no Brasil para donos de restaurantes. Foi apresentador de TV, no programa Café com Chef da Band domingo de manhã.


Já treinou mais de 35 mil empresários, em 23 capitais do Brasil, e já fez trabalhos em Portugal e na Argentina. Para mais informações, visite o Instagram ou pelo site.

 

Sugestão de fonte: clique aqui

 

Fontes de pesquisa

Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel)

Statista – Online Food Delivery Brasi

McKinsey & Company – The future of food delivery

Euromonitor International – Consumer Foodservice in Brazil

Donos de Restaurantes (Marcelo Marani)


Junho testa a capacidade de execução dos restaurantes

Fonte:

Visibilidade Estratégica

Carolina Lara

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