top of page

Gaia Wines: entre o vulcão, o mar e a alma da Grécia

há 10 horas
12 min de leitura

Uma visita à Gaia Wines, em Santorini, revela a filosofia de uma vinícola que transformou Assyrtiko e Agiorgitiko em verdadeiros embaixadores do vinho grego.


Gaia Wines: entre o vulcão, o mar e a alma da Grécia

No dia 15 de junho de 2026, durante nossa viagem pela Grécia, eu, Rosane Flinkas e nossos amigos Teresa e Marcos Araripe tivemos a oportunidade de conhecer a Gaia Wines, em Santorini, a convite da Mistral Vinhos, importadora exclusiva dos vinhos da Gaia no Brasil.


Foi uma visita especialmente significativa porque a Gaia não é apenas uma vinícola que produz belos vinhos gregos. Desde sua fundação, em 1994, ela assumiu uma missão bastante clara: explorar até onde poderiam chegar as grandes variedades autóctones da Grécia, principalmente a Assyrtiko, de Santorini, e a Agiorgitiko, de Nemea.


Fomos recebidos por Elena Korda, que trabalha na vinícola durante a alta temporada. Ela nos acompanhou pelos vinhedos, apresentou as instalações de produção, os espaços de maturação e os barris e, finalmente, conduziu nossa degustação diante de um cenário que dificilmente poderia ser mais grego: o mar Egeu ao fundo, a praia de Monolithos à nossa frente e oito vinhos da Gaia na taça.


E foi justamente essa combinação de lugar, história e vinho que tornou a experiência tão especial.


Gaia Wines: uma história de mais de 30 anos


A Gaia Wines foi fundada em 1994 pelo enólogo Yiannis Paraskevopoulos, doutor em Enologia pela Universidade de Bordeaux III, e por Leon Karatsalos, ambos formados pela Agricultural University of Athens. Desde o começo, a ideia era instalar vinícolas nas duas regiões que consideravam fundamentais para mostrar a diversidade do vinho grego: Santorini e Nemea.


O primeiro vinho lançado pela empresa foi justamente o Thalassitis, com apenas 9.600 garrafas da safra inicial. A proposta era apresentar uma interpretação moderna e de alta qualidade da Assyrtiko de Santorini e, ao mesmo tempo, questionar a visão que ainda predominava internacionalmente sobre o vinho grego.


Em 1997, a Gaia deu outro passo importante: adquiriu um vinhedo próprio de sete hectares em Koutsi, Nemea, e construiu ali sua segunda vinícola, com capacidade inicial de cerca de 3.000 hectolitros - atualmente indicada pela empresa em 3.060 hectolitros.


Assim, duas uvas passaram a representar as duas almas da Gaia:

Assyrtiko, branca, mineral e de acidez impressionante, em Santorini.

Agiorgitiko, tinta, frutada, estruturada e capaz de envelhecer, em Nemea.

A própria Gaia define essas duas regiões como os dois pilares de sua identidade.



Santorini: uma viticultura moldada pelo vulcão e pelo vento


A primeira coisa que impressiona em Santorini é compreender que produzir uvas ali nunca foi uma tarefa simples.


O solo é de origem vulcânica, extremamente pobre em matéria orgânica e com grande capacidade de drenagem. A ilha recebe pouca chuva e está permanentemente exposta aos fortes ventos do Egeu. Por isso, as videiras tradicionais são conduzidas em forma de cesto, a famosa kouloura, rente ao chão, protegendo os cachos dos ventos e do excesso de insolação.


É nesse ambiente que a Assyrtiko encontrou sua casa.


E talvez seja justamente a dificuldade desse terroir que ajude a explicar a personalidade tão marcante da variedade: acidez muito elevada, mineralidade, tensão e capacidade de envelhecimento.


A Gaia trabalha com vinhedos antigos de terceiros em diferentes partes da ilha. No caso do Thalassitis, por exemplo, as uvas vêm de áreas como Episkopi, Akrotiri e Pyrgos, de vinhas que chegam a aproximadamente 80 anos e com rendimentos muito baixos.


Elena Korda apresentando a Gaia Wines em Santorini

A vinícola de Santorini: uma antiga fábrica de tomate à beira-mar


Nossa visita aconteceu na unidade de Santorini, localizada na região de Monolithos.


O prédio onde funciona a vinícola tem uma história curiosa: trata-se de uma antiga fábrica de tomate do início do século XX, construída em pedra e posteriormente restaurada pela Gaia para receber uma moderna estrutura de produção.


É uma combinação muito interessante: um edifício ligado à antiga atividade agrícola de Santorini transformado em uma vinícola contemporânea.


Ali ficam equipamentos modernos de produção, espaços dedicados à fermentação e, especialmente, a estrutura utilizada para os vinhos de fermentação espontânea, além de toda a pesquisa que a Gaia realiza com a Assyrtiko.


Foi também ali, diante do mar, que Elena conduziu nossa degustação.


Nemea: o território da Agiorgitiko


Se Santorini é a casa da Assyrtiko, Nemea é o grande território da Agiorgitiko.


A região está no nordeste do Peloponeso e possui áreas de cultivo em diferentes altitudes. Em Koutsi, onde a Gaia mantém sua propriedade e vinícola, encontram-se condições particularmente favoráveis à variedade: solos argilo-calcários, encostas e clima relativamente mais fresco.


A Gaia descreve seus vinhedos de Koutsi como situados em área montanhosa, com altitudes que podem chegar a aproximadamente 850 metros, enquanto a própria vinícola está instalada a cerca de 550 metros.


É nessa unidade que a vinícola tem outra dimensão.


Enquanto Santorini nos apresenta principalmente à Assyrtiko e aos brancos, Nemea está intimamente ligada aos tintos, à Agiorgitiko e às estruturas de maturação em madeira. A própria experiência oferecida atualmente pela Gaia em Koutsi inclui visita aos vinhedos, instalações de produção e às caves de maturação em barricas.


Foi também em Nemea que a Gaia começou a demonstrar que a Agiorgitiko poderia produzir vinhos destinados a uma evolução mais longa. O Gaia Estate, lançado em 1997, nasceu justamente para desafiar a percepção então existente de que a variedade não seria capaz de originar grandes vinhos de guarda.



Oito vinhos, duas regiões e muitas interpretações


Nossa degustação foi particularmente interessante porque percorreu diferentes facetas do trabalho da Gaia.

Foram oito vinhos, na seguinte ordem:


  1. Monograph Assyrtiko

  2. GAIA S White – Synergy Assyrtiko & Sauvignon Blanc

  3. Thalassitis

  4. Moschofilero by Gaia – Wild Ferment

  5. 4-6h Agiorgitiko

  6. Agiorgitiko by Gaia

  7. GAIA S Red

  8. Vinsanto by Gaia


E é justamente nessa sequência que fica evidente a filosofia da vinícola.



Gaia Wines: entre o vulcão, o mar e a alma da Grécia

1. Monograph Assyrtiko


Começamos com uma interessante demonstração de como uma mesma uva pode mudar completamente de personalidade quando muda de terroir.


A Assyrtiko nasceu em Santorini, mas o Monograph Assyrtiko da Gaia é produzido no Koutsi, em Nemea, em solos semi-montanhosos de natureza calcária. É classificado como PGI Peloponnese.


E a diferença é perceptível.


Em Santorini, a Assyrtiko costuma apresentar aquela combinação quase inconfundível de mineralidade, tensão, salinidade e acidez. Em Nemea, ela se mostra mais leve, frutada e acessível, mantendo, entretanto, uma acidez muito viva.


Na minha taça, encontrei uma fruta cítrica bastante evidente, acompanhada por notas tropicais e uma textura que me pareceu mais descontraída do que a das Assyrtiko santorinienses.


É um vinho que demonstra muito bem a influência do terroir: a uva é a mesma, mas o vinho conta outra história.


Para mim, é uma Assyrtiko mais direta, gastronômica e fácil de beber, sem perder sua identidade.


Minha impressão: cítrico, tropical e refrescante.



Gaia Wines: entre o vulcão, o mar e a alma da Grécia

2. GAIA S White - Synergy Assyrtiko & Sauvignon Blanc


O segundo vinho da degustação trouxe uma proposta ainda mais interessante.


O GAIA S White é um corte de Assyrtiko e Sauvignon Blanc, proveniente de vinhedos nas encostas montanhosas de Nemea.


O nome S vem de Synergy. A ideia da Gaia foi justamente explorar o comportamento das variedades gregas quando colocadas em conjunto com grandes castas internacionais. Nesse caso, a Assyrtiko encontra o Sauvignon Blanc; na versão tinta, veremos mais adiante a combinação entre Agiorgitiko e Syrah.


Na elaboração, há maceração a frio com as borras em temperaturas próximas de 0 °C antes da fermentação, seguida de fermentação e maturação em tanques de aço inoxidável.


O resultado é bastante aromático.


A Assyrtiko aparece trazendo acidez e estrutura, enquanto o Sauvignon Blanc contribui com uma camada aromática mais exuberante. A Gaia identifica no vinho aromas de lichia, cítricos e frutas brancas, além de pera e frutas tropicais na boca.


Eu o achei bastante agradável justamente por esse equilíbrio entre frescor e exuberância aromática.


Não é a Assyrtiko austera e mineral de Santorini. É outra proposta: mais aberta, frutada e convidativa.


Minha impressão: aromático, fresco e frutado.



Gaia Wines: entre o vulcão, o mar e a alma da Grécia

3. Thalassitis


Se existe um vinho que representa a história da Gaia, é o Thalassitis.


Foi com ele que a empresa chegou ao mercado em 1994, e sua proposta continua sendo uma das expressões mais emblemáticas da Assyrtiko de Santorini.


É um vinho de 100% Assyrtiko, produzido com uvas de vinhedos antigos de Santorini, incluindo Episkopi, Akrotiri e Pyrgos. As videiras podem chegar a cerca de 80 anos e apresentam rendimentos extremamente baixos, limitados a aproximadamente 25 hl/ha.


A vinificação é feita em tanques de aço inoxidável, seguida por alguns meses de maturação sobre as borras finas.


E aqui Santorini aparece com toda sua força.


Na taça, percebi aquela combinação que considero uma das grandes virtudes da Assyrtiko: acidez vibrante, mineralidade, fruta cítrica e uma sensação quase salina no final.


É um vinho que tem tensão. Não é simplesmente um branco refrescante.


É um branco que pede comida, especialmente frutos do mar, peixes, mariscos e pratos em que sal, gordura e acidez façam parte da composição. A própria Gaia recomenda essas combinações.


E degustá-lo em Santorini, olhando para o mar Egeu, foi obviamente uma experiência à parte.


Minha impressão: mineral, salino e vibrante.


Gaia Wines: entre o vulcão, o mar e a alma da Grécia

4. Moschofilero by Gaia – Wild Ferment


Depois de três vinhos brancos bastante diferentes, chegou a vez de outra variedade grega: a Moschofilero.

É uma uva aromática do Peloponeso, particularmente associada ao planalto de Mantinia, e aqui a Gaia decidiu explorar uma faceta menos convencional da variedade.


O Moschofilero by Gaia - Wild Ferment utiliza fermentação com leveduras indígenas, algo relativamente incomum para a casta. As uvas vêm de vinhedos antigos, com mais de 25 anos, localizados a aproximadamente 800 metros de altitude.


A fermentação espontânea acrescenta complexidade ao perfil naturalmente aromático da Moschofilero.

Na taça, o primeiro impacto é floral: rosas e limão. Depois aparece uma delicada sensação amanteigada associada ao uso de carvalho francês. A acidez mantém tudo muito vivo.


Foi um vinho que me pareceu particularmente interessante porque não tenta esconder o caráter aromático da variedade, mas também não fica preso a uma interpretação simplesmente floral e fresca.


Existe mais textura, mais complexidade e uma interessante dimensão gastronômica.


Minha impressão: floral, cítrico e cremoso.



Gaia Wines: entre o vulcão, o mar e a alma da Grécia

5. 4-6h Agiorgitiko


E então mudamos completamente de cor e de variedade.


O 4-6h Agiorgitiko é um rosé produzido com 100% Agiorgitiko, proveniente de vinhedos de Koutsi, em Nemea.


O próprio nome tem uma explicação bastante literal: as uvas são colhidas antes do nascer do sol, entre 4h e 6h da manhã, para que cheguem à vinícola preservando temperatura e frescor.


Depois, as uvas são mantidas sob temperatura controlada e fermentadas em inox, com breve período de maturação no próprio tanque.


O resultado é um rosé de cor delicada, aromático e fresco.


A Agiorgitiko mostra aqui sua enorme versatilidade. A mesma variedade que veremos em tintos estruturados aparece neste caso em uma versão muito mais leve e refrescante.


Eu encontrei frutas vermelhas delicadas e um lado floral bastante agradável, com uma acidez que deixa o vinho muito fácil de beber.


A Gaia recomenda inclusive tratá-lo quase como um branco: bem gelado e em uma taça generosa.


E, naquele cenário de Santorini, com o calor do verão grego e o mar ao lado, foi um vinho absolutamente apropriado.


Minha impressão: delicado, fresco e frutado.


Gaia Wines: entre o vulcão, o mar e a alma da Grécia

6. Agiorgitiko by Gaia


Agora entramos no território mais clássico da Gaia em Nemea.


O Agiorgitiko by Gaia é elaborado com 100% Agiorgitiko, proveniente de Koutsi, uma das áreas mais importantes da denominação.


A versão atualmente comercializada no Brasil pela Mistral é a safra 2022, produzida a partir de vinhedos de altitude, em solos argilo-calcários. A vinificação inclui fermentação com temperatura controlada em inox e maceração prolongada. Depois, o vinho passa por 12 meses em barricas usadas de carvalho francês, seguidos por aproximadamente seis meses de afinamento em garrafa antes do lançamento.


É aqui que a Agiorgitiko começa a mostrar sua outra personalidade.


Na taça, encontrei frutas maduras, especialmente frutas vermelhas e negras, acompanhadas de especiarias e uma presença de madeira muito bem integrada.


Os taninos são firmes, mas não agressivos. Existe corpo, porém também existe uma certa maciez que torna o vinho bastante agradável.


Foi justamente essa combinação que me chamou atenção: fruta madura + estrutura + madeira sem excesso.


A Gaia indica que o vinho pode ganhar complexidade com alguns anos de guarda, tornando-se progressivamente mais aveludado e complexo.


Minha impressão: frutado, especiado e estruturado.


Gaia Wines: entre o vulcão, o mar e a alma da Grécia

7. GAIA S Red - Agiorgitiko & Syrah


Chegamos então a uma das propostas mais interessantes da Gaia: colocar a Agiorgitiko em diálogo com uma variedade internacional.


O GAIA S Red é composto por 70% Agiorgitiko e 30% Syrah. A Syrah é cultivada no próprio Peloponeso, enquanto a Agiorgitiko vem de Koutsi, em Nemea.


É justamente o conceito de Synergy que está por trás da linha GAIA S.


As duas variedades são vinificadas separadamente, com fermentação alcoólica sob controle de temperatura e posterior fermentação malolática. Depois, o corte amadurece durante 12 meses em barricas de primeiro e segundo uso, de carvalho francês e americano, antes de passar ainda por aproximadamente 12 meses de afinamento em garrafa.


Na taça, a diferença é imediata.


É um vinho mais intenso, profundo e concentrado. A Agiorgitiko entrega a identidade grega e a estrutura; a Syrah acrescenta profundidade, fruta escura e especiarias.


A própria Gaia descreve o perfil com referências a frutas negras maduras, especiarias, chocolate e tabaco, com uma textura rica e aveludada.


Na minha percepção, é um vinho que pede comida mais robusta.


Carnes grelhadas, cordeiro, pratos condimentados e queijos curados seriam companheiros naturais.


E achei interessante perceber como a Gaia não tenta simplesmente “internacionalizar” a Agiorgitiko. A Syrah está ali para criar outra dimensão, mas a variedade grega continua sendo o eixo do vinho.


Minha impressão: intenso, especiado e aveludado.



Gaia Wines: entre o vulcão, o mar e a alma da Grécia

8. Vinsanto by Gaia: o lado doce de Santorini


E para terminar, nada poderia ser mais simbólico do que voltar a Santorini através de seu vinho doce mais tradicional.


O Vinsanto by Gaia é um vinho de sobremesa elaborado principalmente com Assyrtiko, acompanhada por pequenas quantidades de Athiri e Aidani.


E sua elaboração é quase artesanal.


Parte das uvas é colocada para secar diretamente sob o forte sol de Santorini, enquanto outra parte é seca à sombra, preservando um pouco mais de frescor da fruta. Depois de aproximadamente dez dias, as uvas já estão suficientemente desidratadas e concentradas.


O mosto extremamente concentrado é então colocado em barris antigos de carvalho, onde começa uma fermentação muito lenta. Com a elevação natural do álcool e a enorme quantidade de açúcar, a fermentação acaba interrompendo-se naturalmente.


E então começa uma das partes mais fascinantes: o vinho permanece nos mesmos barris por pelo menos oito anos.


O resultado é um vinho de grande intensidade aromática.


Aparecem passas, figos secos, damascos, caramelo, café e bergamota, enquanto a boca é doce, densa e extremamente persistente.


Mas há um detalhe fundamental: a acidez da Assyrtiko.


É ela que impede que toda essa doçura se torne pesada. O vinho é doce, mas mantém frescor e equilíbrio.

Para mim, foi o encerramento perfeito da degustação.


Minha impressão: intenso, doce e persistente.


Gaia Wines: entre o vulcão, o mar e a alma da Grécia

Thalassitis Submerged: quando o mar vira adega


Entre todas as histórias que Elena nos contou durante a visita, talvez nenhuma seja tão curiosa quanto a experiência do Thalassitis Submerged.


Em 2009, a Gaia colocou 450 garrafas de Thalassitis no mar de Santorini, com o objetivo de estudar como o vinho evoluiria longe da luz e com contato extremamente reduzido com oxigênio.


E o primeiro experimento não foi exatamente um sucesso do ponto de vista da quantidade de garrafas recuperadas.


Quando o primeiro lote foi retirado do mar, em 2014, somente três garrafas da safra de 2009 haviam sobrevivido intactas. Mas o resultado do vinho foi tão interessante que a Gaia decidiu continuar a experiência.


A empresa então passou a repetir o processo, ajustando as condições de submersão. Em 2010, por exemplo, 258 garrafas foram recuperadas. E a própria Gaia afirma que o ritual continua até hoje, como parte de seu trabalho de pesquisa e inovação.


O mais interessante não é simplesmente dizer que existe “vinho envelhecido no fundo do mar”.


É entender por que a Gaia faz isso.


A experiência procura investigar como a ausência de luz, a temperatura mais estável e as condições de oxigenação podem influenciar a evolução da Assyrtiko.


E os resultados descritos pela vinícola são particularmente curiosos: vinhos que apresentam evolução e complexidade, mas conservam uma aparência e uma vitalidade surpreendentemente jovens.


É uma experiência que resume muito bem a filosofia da Gaia: tradição, mas sem medo de experimentar.


Duas vinícolas, duas uvas e uma mesma filosofia


Depois de conhecer a Gaia, fica muito mais fácil entender a coerência de seu portfólio.


Em Santorini, a Assyrtiko enfrenta um dos ambientes mais extremos da viticultura europeia. Solo vulcânico, pouca água, muito vento e videiras antigas.


Em Nemea, a Agiorgitiko encontra um ambiente completamente diferente, com altitude, solos argilo-calcários e condições adequadas para produzir desde rosés delicados até tintos de maior estrutura e potencial de envelhecimento.


E a Gaia não parece satisfeita em produzir apenas uma interpretação de cada variedade.


A Assyrtiko pode ser:


  • Monograph, em uma interpretação de Nemea;

  • GAIA S White, em parceria com Sauvignon Blanc;

  • Thalassitis, como expressão clássica de Santorini;

  • Wild Ferment, com fermentação espontânea e madeira;

  • ou até mesmo um vinho doce como o Vinsanto.


Da mesma maneira, a Agiorgitiko pode aparecer como rosé no 4-6h, como varietal estruturado no Agiorgitiko by Gaia ou em parceria com Syrah no GAIA S Red.


É justamente essa diversidade que considero uma das grandes virtudes da visita.


Não estamos apenas provando oito vinhos.


Estamos acompanhando oito maneiras diferentes de interpretar a Grécia através da taça.


No final da degustação, olhando para aquela paisagem, fiquei pensando em como o vinho consegue conectar tantas coisas ao mesmo tempo.


A história de uma ilha vulcânica.


A sobrevivência de videiras antigas.


Uma variedade como a Assyrtiko, que se tornou símbolo de Santorini.


A Agiorgitiko, representando o Peloponeso.


A tradição do Vinsanto.


A ousadia de colocar garrafas no fundo do mar.


E, principalmente, pessoas que decidiram acreditar que as variedades gregas poderiam ocupar um lugar muito maior no mundo do vinho.


Para mim, a visita à Gaia Wines foi justamente isso: uma aula sobre território, identidade e experimentação, mas também uma experiência de viagem daquelas que ficam na memória.


E talvez não exista lugar melhor para compreender tudo isso do que uma mesa diante do mar Egeu, em Santorini, com uma taça de Assyrtiko na mão.



Agradecimentos


Quero deixar aqui meu agradecimento especial à Mistral Vinhos, pelo convite e pela oportunidade de conhecer de perto a Gaia Wines, produtora que integra seu portfólio exclusivo no Brasil. A Mistral mantém atualmente em seu portfólio brasileiro rótulos como Thalassitis, Assyrtiko by Gaia, 4-6 Agiorgitiko, Agiorgitiko by Gaia e S Agiorgitiko-Syrah, entre outros.


Meu agradecimento também à Gaia Wines, pela acolhida e por abrir suas portas para que pudéssemos conhecer não apenas seus vinhos, mas também sua história, seus métodos e sua filosofia.


E, especialmente, à Elena Korda, que nos recebeu com tanta atenção, nos acompanhou pelos espaços da vinícola, compartilhou conosco tantas informações e conduziu nossa degustação diante daquele cenário inesquecível. Sem dúvidas, Elena é um dos jovens talentos que a Gaia descobriu e que faz a diferença para quem vem fazer uma visita.


Eu, Rosane, Teresa e Marcos saímos da Gaia levando muito mais do que algumas notas de degustação.


Levamos a lembrança de uma tarde em que vinho, história, amizade e o mar Egeu se encontraram no mesmo lugar.


E algumas experiências de viagem, como alguns grandes vinhos, que continuam evoluindo dentro da memória muito depois da última taça ter sido esvaziada.


Gaia Wines: entre o vulcão, o mar e a alma da Grécia

Texto - Cláudio Bastos

Fotos - Cláudio Bastos & Rosane Flinkas


Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
Logo BT - Letra Branca .png

Boas Taças® Conteúdo & Experiência 

Vinhos, Viagens & Gastronomia

  • Instagram
  • LinkedIn
  • Facebook
bottom of page