Split payment da reforma tributária pode pressionar fluxo de caixa de vinícolas, alerta especialista
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Novo modelo de recolhimento de tributos preocupa produtores de vinhos finos, que podem manter estoques em maturação por até dois anos antes da venda

A implementação do split payment, mecanismo previsto na reforma tributária para o recolhimento automático dos novos tributos sobre o consumo, deve criar um desafio adicional para o setor vitivinícola brasileiro. A preocupação está no impacto sobre o fluxo de caixa das vinícolas, especialmente das pequenas produtoras de vinhos finos, que trabalham com ciclos de produção longos e mantêm parte do capital imobilizada durante meses, ou até anos, antes da comercialização dos rótulos.
Na avaliação do sócio-fundador da Casa Marques Pereira e contabilista, Fábio Marques Pereira, a nova sistemática de recolhimento exige um planejamento financeiro ainda mais rigoroso das empresas.
"Quando falamos em vinho fino, estamos falando de um produto que não sai da linha de produção direto para a prateleira. Em muitos casos, ele permanece entre 12 e 24 meses em barricas ou em envelhecimento antes da venda. É justamente nesse intervalo que o fluxo de caixa pode sentir os efeitos da nova sistemática", afirma.
Segundo ele, diferentemente de setores que produzem e comercializam seus produtos em poucos dias, as vinícolas continuam adquirindo insumos, equipamentos, embalagens e serviços ao longo de todo o processo produtivo, enquanto a receita só será obtida quando o vinho chegar ao mercado.
Entre esses custos estão garrafas, rolhas de cortiça natural, barricas de carvalho, mudas, fertilizantes, defensivos agrícolas e maquinário utilizado tanto no vinhedo quanto na elaboração dos vinhos.
"O grande desafio não é apenas a carga tributária. É administrar o caixa durante todo esse período em que o vinho ainda está maturando. Quanto maior o tempo de guarda, maior também tende a ser a necessidade de capital de giro para manter a operação saudável", explica.
O cenário preocupa principalmente vinícolas boutique, cuja estratégia está concentrada na produção de rótulos de maior valor agregado e em menores volumes. Nesses casos, boa parte dos recursos permanece imobilizada em estoque durante um período significativamente maior do que em outros segmentos da indústria de alimentos e bebidas.
Para Fábio Marques Pereira, a reforma tributária acelera um movimento de profissionalização da gestão financeira das empresas do setor.
"O vinho sempre exigiu planejamento de longo prazo. Agora, esse planejamento também precisará considerar uma gestão tributária muito mais eficiente. A saúde financeira da vinícola passa a depender cada vez mais da capacidade de administrar o capital de giro durante todo o ciclo produtivo", afirma.
Na avaliação do contabilista, estratégias como o fortalecimento da venda direta ao consumidor, por meio de clubes de assinatura, enoturismo e plataformas próprias de comércio eletrônico, tendem a ganhar ainda mais relevância. Ao reduzir intermediários, as vinícolas conseguem preservar margens maiores e ampliar a geração de caixa, criando uma estrutura financeira mais preparada para absorver os impactos das novas regras tributárias.
"As mudanças tributárias exigem que o produtor olhe para a gestão financeira com o mesmo cuidado que dedica ao vinhedo. O vinho tem seu tempo de maturação. O caixa da empresa precisa estar preparado para acompanhar esse tempo."
Split payment da reforma tributária pode pressionar fluxo de caixa de vinícolas, alerta especialista
Fonte:
Luciano da Harmoniza



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