Lands of Biodiversity: Chandon apresenta no Brasil sua visão para a viticultura regenerativa
- Cláudio Bastos

- 1 de dez. de 2025
- 6 min de leitura

Na manhã do dia 23 de outubro de 2025, participei de um brunch exclusivo na LVMH / Chandon Brasil, em São Paulo, para o lançamento do projeto global de sustentabilidade Lands of Biodiversity — uma iniciativa que reforça o compromisso da marca com a viticultura responsável, a regeneração ambiental e o impacto social positivo em seus diferentes terroirs ao redor do mundo.
O encontro deveria contar com a presença especial de Arnaud de Saignes, CEO Global da Chandon, que acabou não podendo comparecer porque teve seu vôo para o Brasil cancelado pela companhia aérea. Ainda assim, o encontro foi um momento marcante e inspirador sobre o tema sustentabilidade, com abertura de Catherine Petit, Diretora-geral da Moët Hennessy no Brasil, participação de diretores e gestores da marca, entre eles Philippe Mével, responsável pela Chandon Brasil e uma das vozes mais importantes da apresentação técnica.
Chandon: diversidade como identidade
Um ponto fundamental reforçado durante as apresentações: a Chandon não é uma vinícola francesa.
Apesar de ter nascido dentro da Moët & Chandon em 1959, ela é uma marca internacional, com raízes e vinhedos em seis países — Argentina, Austrália, Califórnia (EUA), Brasil, China e Índia.
A Chandon funciona como uma comunidade global de enólogos, cada um interpretando seu terroir local. Na equipe, estão nomes como Pauline Lhote (Califórnia), Ana Paula Bartolucci (Argentina), Dan Buckle (Austrália), Aiguo Liu (China), Kaushal Khairnar (Índia), Philippe Mével (Brasil) e Audrey Bourgeois (enologia global).
Uma palavra resume essa dinâmica internacional: diversidade.
Diversidade de solos, altitudes, climas, culturas, técnicas, desafios e soluções.
Brasil: pioneirismo desde 1973
A trajetória brasileira da Chandon começou em 29 de outubro de 1973, na Serra Gaúcha — a primeira vinícola do país dedicada exclusivamente a espumantes.
Hoje, a empresa possui 121 hectares próprios e atende cerca de 33% da sua necessidade de uvas; o restante vem de famílias viticultoras parceiras que cultivam há décadas para a marca.
Entre as evoluções marcantes da operação brasileira estão:
mudança do sistema de latada para espaldeira em 100% dos vinhedos;
zero uso de herbicidas nos vinhedos próprios;
avanço nas certificações internacionais de qualidade e sustentabilidade (ISO 9001, ISO 22000, ISO 14001, ISO 45001);
certificação PIVP – Produção Integrada de Uva para Processamento na Encruzilhada do Sul;
lançamento de uma das garrafas mais leves do mercado (775 g), reduzindo 197 toneladas de vidro por ano.
Lands of Biodiversity: o novo passo global da marca
O projeto apresentado no brunch é ambicioso e fundamentado em três pilares:
1. Regenerar os solos
A meta global é ter 100% dos vinhedos certificados em agricultura regenerativa até 2028.
2. Preservar e regenerar a biodiversidade
As propriedades da marca devem dedicar 30% das áreas a corredores biológicos, favorecendo fauna e flora.
3. Promover a colaboração
A Chandon mantém mais de 100 programas educacionais ao redor do mundo, compartilhando técnicas sustentáveis com viticultores e comunidades locais.
No Brasil, dois novos programas foram anunciados:
manejo e preservação da água;
mitigação dos impactos climáticos na produção.
Brasil: desafios, métricas e a transição com produtores parceiros
Um dos pontos mais importantes da discussão foi a relação com os produtores parceiros.
Apesar de fornecerem a maior parte das uvas, as famílias ainda não aderiram integralmente ao programa regenerativo.
A Chandon está criando incentivos, treinamentos e bonificações para estimular a adoção.
A pontuação da uva, por exemplo, passa a ter impacto direto na remuneração:
abaixo de 50 pontos, a uva pode ser rejeitada;
acima de 80 pontos, há bonificação de preço.
O desafio não é pequeno. A marca reconhece que não deverá conseguir a certificação PIVP regenerativa até 2030 em toda a cadeia — principalmente pela complexidade de trazer parceiros para esse novo modelo de cultivo.
A meta continua, porém, como norte estratégico.

Agricultura convencional × integrada × orgânica × regenerativa
Foram apresentados comparativos detalhados entre sistemas produtivos, mostrando como a Chandon está migrando para práticas de:
controle de erosão por cobertura vegetal;
redução drástica de insumos químicos;
adoção progressiva de adubos orgânicos;
manejo baseado em monitoramento e não em calendário fixo;
ergonomia, segurança e treinamento de equipes;
uso crescente de alternativas naturais e biológicas para doenças e pragas.
A mudança para uma viticultura regenerativa está em curso — e, no Brasil, ocorre com mais complexidade pela geografia e pelo clima úmido da Serra Gaúcha.
Um observatório a céu aberto
Um conceito interessante apresentado no evento é o de que a Chandon funciona como um “observatório climático global”.
Estando presente em regiões tão distintas — do frio californiano ao clima tropical úmido do Brasil — a marca se tornou testemunha direta do impacto das mudanças climáticas na viticultura.
Essa inteligência coletiva é usada para desenvolver práticas compartilhadas e tecnologias aplicáveis entre continentes.
Os vinhos apresentados
O encontro também destacou alguns dos rótulos que representam essa nova fase sustentável, entre eles:
Chandon Blanc de Blanc:
O primeiro espumante brasileiro com certificação em viticultura sustentável, representando um marco na história da Chandon Brasil. Produzido majoritariamente com uvas brancas — tradicionalmente Chardonnay, com possíveis toques de Pinot Noir vinificado em branco — ele carrega a filosofia do programa global de sustentabilidade.
Por que é especial
É o primeiro espumante brasileiro a receber certificação oficial de viticultura sustentável, atestando práticas como:– manejo de solo com cobertura vegetal,– zero herbicidas,– redução de insumos químicos,– proteção da biodiversidade,– rastreabilidade completa.
Simboliza a nova fase da Chandon no Brasil: mais leveza, maior precisão e busca por pureza aromática.
Perfil sensorial
Cor: amarelo-claro com reflexos dourados.
Nariz: frutas brancas frescas (pêra, maçã verde), flores delicadas, leve toque cítrico e nuances de pão tostado.
Boca: vibrante, fresco, muito equilibrado, com acidez refinada e mousse cremosa.
Final: elegante, limpo, persistente.
Chandon Blanc de Noir:
Traz uma expressão mais estruturada e gastronômica dos espumantes da casa, produzido a partir de uvas tintas vinificadas em branco, principalmente Pinot Noir, podendo incluir Pinot Meunier dependendo da safra e do país de origem.
Por que é especial
É uma tradução brasileira da tradição de Champagne, adaptada ao terroir da Serra Gaúcha.
Expressa maior textura, profundidade e riqueza de aromas do que o Blanc de Blanc.
Mostra o trabalho técnico do time da Chandon RS em extrair frescor de uvas tintas, sem cor, em clima mais úmido e desafiador.
Perfil sensorial
Cor: amarelo-palha com reflexos dourados mais intensos.
Nariz: frutas vermelhas frescas (morango, framboesa), maçã madura, notas florais e toque de brioche.
Boca: mais corpo, mais estrutura, mousse cheia, acidez firme e final longo.
Estilo: elegante, gastronômico e versátil.
Névoa das Encantadas:
Um dos espumantes mais poéticos da Chandon Brasil — e também um dos mais ligados ao território e à comunidade local.
História e significado
O nome faz referência à névoa típica das manhãs da Serra Gaúcha, e às “encantadas” — mulheres artesãs que mantêm viva a cultura manual de Monte Belo do Sul.
A garrafa celebra esse saber tradicional, conectando vinho, território, arte e preservação cultural.
É uma expressão da nova narrativa da Chandon: “from our most unexpected lands we craft exceptional sparkling wines”.
Perfil sensorial
Cor: amarelo-claro com perlage fina e abundante.
Nariz: frutas brancas, cítricos, toque floral e mineralidade delicada.
Boca: delicioso equilíbrio entre frescor e cremosidade, com final elegante.
Estilo: leve, aromático, encantador — um espumante que conversa muito com sensorialidade e emoção.
Um futuro que se constrói agora
Participar desse brunch foi compreender de forma profunda o tamanho do desafio — e a dimensão do compromisso — assumido pela Chandon.
A marca que nasceu da Moët & Chandon, mas que se transformou em um mosaico global de terroirs, aposta em diversidade, inovação e colaboração para moldar a viticultura do futuro. No Brasil, os avanços são concretos, mas o caminho ainda é longo.
A transição para a agricultura regenerativa depende da adesão total dos viticultores parceiros, investimento, educação e mudança de mentalidade. Ainda assim, as metas são claras, os primeiros passos são sólidos e a visão global aponta para um futuro mais equilibrado, saudável e conectado com o planeta.
Um futuro, aliás, que começa exatamente agora — no campo, nos corredores de biodiversidade, no solo regenerado, na água preservada, nos programas educacionais e também em encontros como esse, que aproximam consumidores, imprensa e especialistas da construção de um novo capítulo da viticultura mundial.
Cláudio Bastos esteve à convite da @pandoraexperienciasdevinhos
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Lands of Biodiversity: Chandon apresenta no Brasil sua visão para a viticultura regenerativa
Texto por: Cláudio Bastos - Boas Taças LifeStyle com material de suporte: pdf apresentação Chandon e release da Pandora Experiência de Vinhos
Fotos por: Cláudio Bastos

























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